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domingo, 2 de março de 2014

Diagnóstico laboratorial de Infecções do Trato Urinário (ITU)



A maioria das Infecções do Trato Urinário (ITUs) é diagnosticada através de dados clínicos e laboratoriais como piúria e ou bacteriúria e também pela urocultura com contagem de colônias.

Pesquisa da Piúria 
Reflete a possibilidade de resposta inflamatória do trato urinário. A causa mais comum é a infecção bacteriana que poderá ser confirmada pela urocultura; porém a piúria poderá ser evidenciada nas situações clínicas apresentadas abaixo, cuja urocultura resulta negativa.

a) Não infecciosa
- nefropatias
- cálculos e corpos estranhos
- ciclofosfamida
- trauma genitourinário
- neoplasias
- glomerulonefrite

b) Infecciosa (microrganismos de difícil cultivo):
- Tuberculose e infecções causadas por micobactérias atípicas
- Haemophilus influenzae- Chlamydia spp. e Ureaplasma urealyticum
- Gonococos
- Anaeróbios
- Fungos
- Vírus (herpes, adenovírus, varicela-zoster)
- Leptospiras

Infecções do Trato Urinário (ITU)





As infecções do trato urinário (ITU) são uma das doenças infecciosas mais frequentes na rotina clínica, acometendo principalmente crianças, idosos, jovens e mulheres. No meio hospitalar são as mais comuns.
São divididas em

  • Altas - envolvem o parênquima renal (pielonefrite) ou ureteres (ureterite).
  • Baixas - envolvem bexiga (cistite), uretra (uretrite), próstata (prostatite) e epidídimo (epididimite).
Significado de bacteriúria: A investigação microbiológica de suspeita da infecção urinária pela
urocultura, permitiu identificar dois grupos de pacientes com bacteriúria ≥ 100.000 bactérias por ml
de urina:
􀂃 Sintomáticos, e portanto com infecção urinária
􀂃 Assintomáticos, definidos como portadores de bacteriúria assintomática.

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Reprodução e Crescimento Bacteriano


O termo crescimento, tal como é comumente aplicado às bactérias e a outros microrganismos, refere-se, usualmente, às alterações ocorridas na cultura das células e não às alterações de um organismo isolado.


Bactérias geralmente reproduzem-se assexuadamente por fissão binária transversa, quando ocorre a replicação do cromossomo bacteriano e a célula desenvolve uma parede celular transversa, dividindo-se então em duas novas células, conforme imagem abaixo.
Após a replicação do cromossomo, a parede transversa forma como uma invaginação da membrana plasmática e da parede celular. Quando a nova parede formada não se separa completamente em duas paredes, pode-se formar uma cadeia (ou filamento) de bactérias.

A fissão binária não é o único método reprodutivo entre as bactérias.
As espécies do gênero Streptomyces produzem muitos esporos reprodutivos por organismo, cada esporo dando origem a um novo indivíduo.
Bactérias do gênero Nocardia produzem extenso crescimento filamentoso, seguido pela fragmentação dos
filamentos em pequenas células bacilares ou cocóides. Já as espécies do gênero Hyphomicrobium podem reproduzir-se por brotamento, onde desenvolve-se um broto, a partir da célula-mãe e, depois de um período de aumento de tamanho, o broto se separa da célula original, formando um novo indivíduo, porém esses tipos de reprodução são casos isolados e não correspondem à maioria dos espécimes clínicos.

Fissão Binária. Fonte: Pelczar et al., 1996.


Como já foi mencionado, o processo de reprodução prevalecente entre as
bactérias é a fissão binária; uma célula se divide, formando duas células.
Assim sendo, partindo de uma única bactéria, o aumento populacional se faz em progressão
geométrica:



O tempo necessário para que uma célula se divida - ou para que a população duplique - é conhecido como tempo de geração, que não é o mesmo para todas as bactérias.
Para algumas, como a Escherichia coli, pode ser de 15 a 20 minutos; para outras pode ser de muitas horas.
O tempo de geração está na forte dependência dos nutrientes existentes no meio e das condições físicas de incubação.

A figura abaixo mostra a curva de crescimento típica das bactérias em um sistema fechado. Na curva, observa-se que há um período inicial no qual não parece haver crescimento (fase lag ou de latência), que é o período de adaptação bacteriana ao novo meio em que foi semeada ou inoculada. O segundo período é o de rápido aumento da
população (fase logarítmica), correspondendo ao período de máxima atividade bacteriana. Posteriormente, há a fase estacionária, onde a velocidade de reprodução e morte bacteriana são proporcionais. Essa é a fase em que são produzidos os antibióticos bacterianos, como forma de "luta por sobrevivência". E, por fim, a fase de declínio, quando o número de células viáveis é menor que o número de células inviáveis.


Brock et al., 1994.


Fonte: Bossolan, N.R.S. Introdução à Microbiologia. USP. 2002.

Introdução à Micologia: Conceito e Reprodução dos Fungos

Os fungos são organismos que convivem conosco todos os dias. Estes organismos são encontrados praticamente em qualquer local do ambiente que nos cerca, inclusive no ar, onde estruturas reprodutivas, na forma de esporos ou conídios, estão prontas para, ao cair em um substrato adequado, desenvolver novas estruturas vegetativas e reprodutivas.

Estes organismos, muitas vezes, nos são úteis, decompondo resíduos orgânicos, causando a decomposição ou a degradação de alimentos, ou mesmo atacando seres vivos, parasitando-os e, eventualmente, causando a sua morte.

Os fungos são importantes, tanto do ponto de vista ecológico quanto econômico. Ecologicamente, são considerados os lixeiros do mundo, pois degradam todo tipo de restos orgânicos, independente da origem, transformando-os em elementos assimiláveis pelas plantas. Já, economicamente, têm implicações em várias áreas, tais como Medicina humana e veterinária, Farmácia, Nutrição, Fitopatologia, Agricultura, Biotecnologia, entre outras.


terça-feira, 24 de setembro de 2013

Cianobactérias e Cianotoxinas

Conhecidas também como algas azuis ou cianofíceas, são microrganismos procariontes fotossintetizantes – daí a controvérsia relacionada à sua classificação: é uma bactéria ou um vegetal? No entanto, as cianobactérias têm mais características de bactérias, uma vez que não possuem cloroplastos nem carioteca.
Fotossintetizantes: luz solar + nutrientes minerais à matéria orgânica


Seus processos vitais requerem apenas luz, água, sais minerais e dióxido de carbono. São autotróficas.
Cianobactérias podem viver em diversos ambientes e condições extremas como em águas de fontes termais e lagos frios. Outras resistem à alta salinidade e até em períodos de seca. Algumas formas são terrestres, vivem sobre rochas ou solo úmido.

MORFOLOGIA

As cianobactérias podem ocorrer no ambiente de forma unicelular, como nos gêneros Synechococcus e Aphanothece, coloniais, representadas por Microcystis, Gomphospheria, Merispmopedium, ou em filamentos, como no caso da Anabaena, Oscillatoria, Planktothrix, Cylindrospermopsis e Nostoc.

terça-feira, 16 de julho de 2013

Métodos Alternativos de Análise Bacteriológica de Água

O grupo coliforme é composto por bactérias não só do intestino de mamíferos, como é o caso da Escherichia coli, mas também de outras de origem ambiental, sendo Citrobacter, Klebsiella e Enterobacter. Os coliformes são utilizados como indicadores da qualidade de água.
Como já vimos aqui no bioneogenios, a técnica mais utilizada para análise bacteriológica da água é de tubos múltiplos. Entretanto, por falta de tempo, espaço ou algum outro fator, alguns laboratórios preferem adotar sistemas mais rápidos e práticos, chamados métodos alternativos, conforme veremos a seguir.

Presença e Ausência (P.A)                                                                                                                     
                                                                                
É bem semelhante à técnica dos tubos múltiplos, sendo muito usada por órgãos de fiscalização, como a Vigilância Sanitária. É um método qualitativo – apenas diz se há ou não a presença de coliformes na água.
Vantagens: baixo custo; precisa de pouco meio de cultura (em relação à técnica de tubos múltiplos); simples; suja pouca vidraria; é rápido e apresenta o resultado em 24h.
Desvantagens: não consegue distinguir os termotolerantes; utiliza toda a amostra, eliminando a possibilidade de repetir a análise; não quantitativo; alta probabilidade de falsos negativos.
Técnica: Aqui utilizamos o caldo lactosado em concentração tripla, uma vez que vai adicionar ao meio os 100 ml da amostra. O diferencial é que não é feito em tubo de ensaio com tubos de Durham mas em um erlenmeyer contendo um tubo de ensaio invertido, para captar o gás produzido. Adiciona-se um indicador chamado púrpura de bromocresol, que identifica o pH produzido pelos ácidos resultantes do metabolismo das bactérias. Quando acidifica o ambiente o indicador muda para amarelo. Aí está a importância do tubo invertido: algumas bactérias (sem ser do grupo coliforme) produzem ácidos em suas fermentações, o que causaria um falso positivo – como se sabe, uma das características de identificação do grupo coliforme é a produção de gases resultante da fermentação de glicose e lactose, sendo estes gases aprisionados no tubo invertido.

sábado, 13 de julho de 2013

Prova da DNAse: Identificação de Staphylococcus aureus

O teste de DNase é usado para detectar a degradação do Ácido Desoxirribonucleico (DNA), contido no meio de cultura, por bactérias que possuem uma enzima extracelular, a desoxirribonuclease, responsável pela reação. 
A enzima quebra o DNA em subunidades compostas de nucleotídeos. 
O teste é útil para diferenciar Serratia do gênero Enterobacter; Staphylococcus aureus de Staphylococcus coagulase negativa e Moraxella catarrhalis de espécies de Neisseria. 
Após a incubação do meio com a cepa do teste, a placa é inundada com ácido clorídrico que, por sua vez, provoca a precipitação do DNA polimerizado, tornando o meio opaco. Os organismos que degradam o procedimento do DNA produzem uma zona transparente em volta da área de crescimento. 
Sendo assim, a zona clara em volta da colônia indica reação positiva. Caso não haja atividade dessa enzima o HCl reagirá com o ácido nucléico intacto, formando um precipitado.


Correção: aos 36 segundos do vídeo falei a palavra "catalase", mas na verdade quis dizer "DNAse".

Diferenciando Staphylococcus e Streptococcus: Prova da Catalase

Nesse vídeo aprenderemos como fazer a prova da enzima catalase.
Esta enzima atua sobre a água oxigenada (peróxido de hidrogênio) transformando-a em oxigênio e água.
A prova é considerada positiva quando há borbulhamento ou efervescência devido à liberação do oxigênio. A catalase é produzida por muitos microrganismos e é usualmente empregada para diferenciar Staphylococcus, que são catalase positivos de Streptococcus, catalase negativos, ou os bacilos Gram positivos catalase negativos Lactobacillus e Erysipelothrix de Listeria e a maioria dos Corynebacterium catalase positivos.


Tuberculose

(Caso não consiga visualizar com nitidez, abra a imagem, copie e cole no Paint)

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Princípios das principais provas bioquímicas bacteriológicas

A investigação das atividades metabólicas das bactérias “in vitro” é chamada de Provas Bioquímicas e servem para auxiliar o microbiologista a identificar grupos ou espécies de bactérias através da verificação das transformações químicas, que ocorrem num determinado substrato, pela ação das enzimas de um dado microrganismo. 
Como muitas vezes um determinado microrganismo possui um sistema enzimático específico, promovendo transformação bioquímica específica, as provas bioquímicas podem ser utilizadas na prática para a sua caracterização, como você acompanhou nas postagens anteriores sobre Identificação de Cocos Gram +, Identificação de Enterobactérias e Bacilos Gram negativos não fermentadores.


Veremos agora qual o princípio e as principais reações químicas que acontecem nos principais testes bioquímicos.

Produção de catalase
Esta enzima atua sobre a água oxigenada (peróxido de hidrogênio 3 a 5%) transformando-a em oxigênio e água. A prova é feita colocando uma gota de solução aquosa de peróxido de hidrogênio a 3-5% numa lâmina e, em seguida, com uma alça de platina, colocar uma porção do crescimento bacteriano sobre a gota. Ou de outra forma, adicionando-se 0,5 ml da mesma solução a uma cultura em meio líquido ou em ágar inclinado. A prova é considerada positiva quando há borbulhamento ou efervescência devido à liberação do oxigênio. A catalase é produzida por muitos microrganismos e é usualmente empregada para diferenciar Staphylococcus, que são catalase positivos de Streptococcus, catalase negativos, ou os bacilos Gram positivos catalase negativos Lactobacillus e Erysipelothrix de Listeria e a maioria dos Corynebacterium catalase positivos.



Prova da citocromo-oxidase
Este sistema enzimático está relacionado com os citocromos da cadeia respiratória de alguns microrganismos. A prova consiste em colocar uma gota do reagente incolor tetrametil p-fenileno de amina, recém preparado e protegido da luz, em um papel de filtro. Em seguida, várias colônias do microrganismo em estudo são espalhadas sobre a área do papel de filtro contendo o reagente, utilizando uma alça de platina ou um bastão de vidro. A prova é considerada positiva quando na mistura do reagente com a massa bacteriana desenvolve-se a cor púrpura em até 1 minuto (ou de acordo com as instruções do fabricante da tira de papel filtro). Na reação negativa não há desenvolvimento de cor púrpura. As enterobactérias são oxidase negativas e podem ser diferenciadas de outros bacilos Gram negativos. A prova pode ser feita também em culturas em meios sólidos, adicionando-se o reagente oxalato de p-aminodimetilanilina. A reação inicia-se com o desenvolvimento de cor rósea, marrom e finalmente uma coloração negra na superfície das colônias é indicativa da produção de citocromo-oxidase, representando um teste positivo. O teste é negativo se não ocorrer alteração da cor ou houver o desenvolvimento de uma cor rósea pálida



Utilização do citrato como única fonte de carbono
Alguns microrganismos como a E. coli não possuem a permease do citrato, que faz o transporte do citrato para o interior da célula, não conseguindo portanto crescer no meio contendo como única fonte de carbono o citrato, embora possuam as enzimas, intracelulares, que degradam o citrato. A prova é feita semeando-se a bactéria no meio sólido inclinado de citrato de Simmons, contendo azul de bromotimol como indicador, o qual em pH 6,8 a 7,0 apresenta-se verde. A prova positiva resulta no transporte do citrato pela permease e a sua utilização pela enzima citratase resulta na formação de oxaloacetato e acetato. O consumo do citrato induz a clivagem do fosfato de amônia, alcalinizando o meio. Também, com o metabolismo do citrato há formação de carbonatos que alcalinizam o meio, de modo que a cor do indicador vira para azul. Na prova negativa o meio não se altera pois não há crescimento microbiano. Por esse motivo a inoculação deve ser feita com agulha e em linha reta para não haver influência de ingrediente do meio de onde se originou a cultura, dando resultados falso-positivos.



Prova da produção de urease
A urease é uma enzima que degrada a uréia em duas moléculas de amônia e uma de anidrido carbônico. A prova consiste em transferir uma porção do crescimento bacteriano com uma alça para o meio contendo uréia, pH neutro e um indicador de pH, o vermelho fenol. Após o crescimento a prova é revelada positiva quando a urease ataca a uréia alcalinizando o meio que toma a coloração rosa choque. Na prova negativa não há alteração da cor do meio. Os organismos do gênero Proteus são urease positivos, diferentemente da maioria das enterobactérias.


Meios de Cultura Bacteriológicos


É importante que o profissional conheça cada meio de cultura e os adeque ao perfil bacteriano esperado para cada material.

Alguns procedimentos são essenciais na hora da preparação de cada meio de cultura para a obtenção de melhores resultados e evitar contaminações.

O processo de autoclavação deve ser realizado sempre a 121ºC durante 15 minutos, sob pressão de 1 atm.
Quando distribuir o meio antes de autoclavar, os tubos não precisam estar esterilizados; quando distribuir o meio após a autoclavação, os tubos, frascos, placas, pipetas e vidrarias ou materiais auxiliares obrigatoriamente devem ser estéreis e os meios devem ser autoclavados com as tampas semi-abertas, para que a esterilização seja por igual em todo o conteúdo dos tubos. 


Vejamos abaixo os meios de cultura mais utilizados na rotina clínica de bacteriologia:


Ágar nutriente
Meio relativamente simples, de fácil preparo e barato, muito usado nos procedimentos do laboratório de microbiologia.
Utilidade: análise de água, alimentos e leite como meio para cultivo preliminar das amostras submetidas à exames bacteriológicos e isolamento de organismos para culturas puras, conservação e manutenção de culturas em temperatura ambiente, como método opcional para os laboratórios que não dispõem do método da criopreservação (congelamento das cepas em freezer à - 80ºC) e observação da esporulação de espécies de bacilos Gram positivos.
Cor original do meio: branco opalescente
Positivo: Crescimento na superfície do ágar;
Negativo: Ausência de crescimento.

Ágar Sangue de Carneiro (5%)
O meio, usando uma base rica formada a partir do Ágar Mueller-Hinton, oferece ótimas condições de crescimento a maioria dos microrganismos. A conservação dos eritrócitos íntegros favorecem a formação de halos de hemólise nítidos, úteis para a diferenciação de Streptococcus spp. e Staphylococcus spp.
É utilizado no isolamento de microrganismos não fastidiosos, verificação de hemólise dos Streptococcus spp. e Staphylococcus spp. e usado na prova de satelitismo (para identificação presuntiva de Haemophilus spp.).
A cor original do meio é vermelho.
Beta hemólise: presença de halo transparente ao redor das colônias semeadas (lise total dos eritrócitos).
Alfa hemólise: presença de halo esverdeado ao redor das colônias semeadas (lise parcial dos eritrócitos).
Gama hemólise (sem hemólise): ausência de halo ao redor das colônias (eritrócitos permanecem íntegros).
 

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Métodos de conservação de alimentos

HISTÓRIA                                                                                                                                                            
A conservação de alimentos remonta o início da humanidade. As técnicas se desenvolveram especialmente no inverno, onde a disponibilidade de animais e vegetais era menor.
As primeiras técnicas foram a secagem ao sol e defumação. Na Grécia Antiga, na época de Homero, o sal era usado para dar sabor e conservar a carne.
Por sua vez, os romanos usavam neve e gelo para conservar sua comida. Já os egípcios salgavam e desidratavam carnes de aves.


CONSERVAÇÃO                                                                                                                                            

Os métodos de conservação têm o objetivo de aumentar a vida útil dos alimentos através de técnicas que impeçam a deterioração microbiana, enzimática, química e física, mantendo seus nutrientes e suas características organolépticas.
Para que os microrganismos se proliferem, necessitam de um ambiente úmido, com oxigênio (ou não), temperatura e outras condições favoráveis. Logo, os processos de conservação visam à destruição, inativação ou diminuição desses seres.
Os principais métodos de conservação envolvem:

o   Conservação pelo calor;
o   Conservação pelo frio;
o   Conservação pelo controle da umidade;
o   Conservação por desidratação e concentração
o   Conservação pela adição de um soluto;
o   Conservação por defumação;
o   Conservação por fermentação;
o   Conservação pela adição de aditivos;
o   Conservação pelo uso da irradiação.



A escolha do método mais apropriado vai depender do tipo de alimento, de sua natureza (líquida, sólida, pastosa), o tempo de conservação, o custo e os micróbios envolvidos.

1. Conservação pelo calor
Emprego de temperaturas acima das suportáveis aos microrganismos, causando sua morte ou sua inativação, sem que haja alteração organoléptica. Os tipos são:
a) pasteurização – é um tratamento térmico relativamente suave, que utiliza temperaturas inferiores a 100°C em determinado período de tempo. A regra geral é que quanto maior a temperatura, menor deve ser o tempo. Inativa enzimas e destrói microrganismos mais sensíveis, como bactérias mesófilas, bolores e leveduras.

terça-feira, 4 de junho de 2013

Fatores Intrínsecos e Extrínsecos que controlam o desenvolvimento microbiano em alimentos

A sobrevivência ou multiplicação de microrganismos nos alimentos depende de uma série de fatores. Esses fatores podem estar ligados às características próprias dos alimentos (fatores intrínsecos) ou com o ambiente em que o alimento se encontra (extrínsecos).
Consideramos como fatores intrínsecos a atividade de água (Aa/Aw), a acidez (pH), potencial de oxirredução (Eh), composição química, presença de fatores antimicrobianos naturais e interações entre os microrganismos presentes nos alimentos.
Como fatores extrínsecos são inclusos a umidade e temperatura ambientais, além da atmosfera em que o alimento está inserido.

FATORES INTRÍNSECOS                                                                                                                          

  • Atividade da água
Microrganismos precisam de água pra sobreviver. E vão utilizar a água presente no alimento em sua forma livre (isto é, não a que está ligada a macromoléculas por forças físicas e que não atua como solvente, nem participa de reações).  A disponibilidade de água em um alimento é denominada "atividade da água".
Atividade da água é a reação entre a pressão parcial do vapor de água (P) e a pressão parcial do vapor de água pura (P0), a uma dada temperatura:
Aa = P/P0
Adição de sal ou açúcar diminui o valor de Aa por reduzir o valor de P.
Bactérias Gram-negativas são mais exigentes em relação à atividade da água que as Gram-positivas.
A maioria das bactérias deteriorantes não se multiplica em Aa inferior a 0,91.


  • Acidez (pH)

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Fontes de Contaminação de Alimentos


Os microrganismos têm papel importantíssimo para a indústria de alimentos. Mas de onde vêm?
As principais fontes são:
  • Solo e água - são considerados em conjunto, pois muitos dos microrganismos neles presentes têm várias características em comum. Microrganismos do solo podem contaminar o ar e chegar aos corpos de água através da chuva., que também pode arrastá-los do solo. Microrganismos aquáticos podem ser transferidos para o solo tanto através da chuva, quanto do próprio contato direto. Vale lembrar que a água é um meio pobre e que nem todas as bactérias aquáticas, especialmente as que necessitam de maior salinidade, sobrevivem no solo. 
  • Plantas - para que haja contaminação através da ingestão de plantas é necessário que o microrganismo apresente um mecanismo de adesão e possa, assim, obter os nutrientes necessários à sua vida. Aos microrganismos que conseguem parasitar vegetais é atribuído o nome de "fitopatogênicos".
  • Utensílios - bandejas, facas, recipientes, tábuas, moedores etc., têm papel importante como fonte de contaminação, pois a má higienização resulta em transmissão de germes de um alimento para outro (contaminação cruzada)
  • Trato intestinal de mamíferos - riquíssimo em microrganismos - em quantidade e variedade. A presença de enterobactérias está relacionada à contaminação fecal em água e/ou alimentos. Os principais exemplos de enteropatógenos: Salmonella, Shigella, Campylobacter, Listeria.
  • Manipuladores de alimentos - mãos, nasofaringe, pele, cavidade bucal, roupas, solo, água, poeira. Microrganismos da microbiota intestinal podem contaminar em casos de higiene precária.
  • Ração animal - importante fonte de Salmonella para aves e outros animais. A silagem também é fonte de contaminação por Listeria monocytogenes. 
  • Pele dos animais - grande fator de contaminação do leite.
  • Ar e pó - Os microrganismos que melhor se adaptam a esse ambiente são bactérias Gram-Positivas e fungos.

sábado, 4 de maio de 2013

Técnica dos Tubos Múltiplos




A técnica dos tubos múltiplos é um método probabilístico. A partir dela é possível determinar o Número Mais Provável de bactérias do grupo coliforme em 100 ml de água (NMP/100 ml).

O NMP visa estimar a densidade de microrganismos presente na amostra de água ou alimentos baseado na frequência de resultados positivos.

Costumam ser aplicados para a pesquisa de coliformes em água e alimentos. Assim, podemos obter informações sobre a população presuntiva de coliformes (teste presuntivo), sobre a população real de coliformes totais (teste confirmatório) e sobre a população de coliformes termotolerantes/de origem fecal. A técnica dos tubos múltiplos e a determinação do NMP são baseados no Standard Methods for the Examination of water and Wastewater-APHA/American Public Health Association (1992), conhecida popularmente como a "Bíblia da Água".

Antes de nos aprofundarmos é necessário conhecer alguns termos:


domingo, 27 de janeiro de 2013

Bacilos gram-negativos não fermentadores



Também conhecidos pelas siglas BGNNF ou apenas BGNF, são bactérias gram-negativas, aeróbias, não esporuladas e que não utilizam o carboidrato como fonte de energia. Podem sobreviver em diversas condições ambientais, como a água. Segundo PEREIRA et al (2012), "quando
encontrados em ambientes hospitalares podem ser considerados patógenos em potencial, em
função da sua capacidade em se multiplicar, higiene precária e condutas terapêuticas
inadequadas (uso indiscriminado de antimicrobianos de amplo espectro)".
Os bacilos não fermentadores (gêneros) mais comuns são:

As grifadas são as de maior importância médica

Os BGNF são assim chamados por não utilizarem a glicólise na via fermentativa. Costumam utilizar a via de EntnerDoudoroff, Embdnen-Meyerhof-Parnas ou a via hexose monofosfato de Warbug-Dickins, para obter ATP através da glicose, oxidando-a.

Características                                                                                                                                                       


  • Ausência de evidência de fermentação de glicose no meio TSI, apresentando pico e fundo alcalino.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Identificação bioquímica de Enterobactérias



A família Enterobacteriaceae possui uma grande variedade de espécies patogênicas, como a Escherichia. coli e Proteus spp., que pode causar infecções no trato urinário e Salmonella spp. e Shigella, potentes patógenos alimentares. Alguns, porém, são participantes da microbiota intestinal, como a própria E. coli.
As enterobactérias são bastonetes Gram-negativos, anaeróbios facultativos e oxidase negativos.
Os principais meios para identificação destas bactérias são chamados provas bioquímicas, que como o próprio nome sugere, avalia características bioquímicas presentes ou ausentes nos microrganismos submetidos à identificação.
Os principais meios utilizados são:
  • TSI 
  • Citrato de Simmons
  • MacConkey
  • SS
  • SIM
  • Ureia
Falaremos depois sobre cada meio de cultura/prova bioquímica.
 Veja abaixo as tabelas de identificação bioquímica de enterobactérias.

sábado, 27 de outubro de 2012

Identificação de cocos Gram-positivos

O gênero Staphylococcus é composto por 37 espécies, 17 delas podem ser isoladas de amostras biológicas humanas. Geralmente são encontrados na pele e mucosas.
Rotineiramente o teste de catalase é usado para diferenciar estafilo (catalase +) de estreptococos (catalase -), mas não significa que não exista nenhuma espécie de estafilococos que não possua a enzima catalase.

A seguir um esquema que identifica as principais espécies de Staphylococcus. Se tiver dificuldade de ver, clique na imagem.


Prova da catalase                                                                                                                  

Tem a finalidade de verificar a presença da enzima catalase, que decompõe H2O2 em água e oxigênio.
  • Colocar uma colônia numa lâmina de microscopia e dissolver peróxido de hidrogênio. 
  • Observar a presença (+: estafilococos) ou não (-: estreptococos) de bolhas.

Prova da coagulase                                                                                                                  


Existe o teste em tubo e em lâmina. Tem a finalidade de verificar se o microrganismo possui a coagulase (fator aglutinante).

TUBO
  • Colocar 0,5mL de plasma em tubo de ensaio
  • Adicionar uma colônia com alça bacteriológica diretamente no plasma de coelho com EDTA
  • Incubar por 4h em estufa a +/- 37ºC
  • Observar a formação de coágulo (brumos), característica de S. aureus.
LÂMINA
  • Colocar 2 gotas de salina na lâmina
  • Emulsionar a colônia
  • Adicionar 1 gota de plasma e misturar
  • Observar a formação de coágulo (brumos), característica de S. aureus.
A prova em tubo pesquisa coagulase livre e ligada que, reagindo com um fator plasmático, forma um complexo que atua no fibrinogênio do plasma formando a fibrina.
O teste em lâmina verifica a coagulase ligada na superfície da parede celular, que reagindo com o fibrinogênio do plasma, causa a coagulação do mesmo.