quinta-feira, 13 de junho de 2013

Líquido Pleural

A cavidade pleural é um espaço virtual que delimita uma pequena quantidade de líquido (aproximadamente 20 ml). Esse líquido é o líquido pleural, formado de um ultrafiltrado de plasma, com a produção e reabsorção controladas pela pressão sanguínea e coloidosmótica exercidas pelos capilares que irrigam a área.
A função desse fluido é a proteção mecânica dos pulmões, lubrificação e deslizamento das membranas, além de fornecer nutrientes e remover metabólitos.
O acúmulo anormal do líquido pleural pode ocorrer em situações onde a pressão hidrostática capilar, a pressão coloidal, permeabilidade e  drenagem linfática - exemplos: insuficiência cardíaca congestiva, hipoalbuminemia, pneumonia e os carcinomas.
Casos de insuficiência cardíaca congestiva e hipoalbuminemia são sistêmicos, cujo resultado é a produção de transudato, enquanto pneumonia e carcinoma provocam formação de exsudato locais.
A distinção de transudato ou exsudato pode ter grande significado clínico. Vejamos a definição de cada um:

  • Exsudato - É um líquido que possui proteínas totais acima de 3 g/dL e lactato desidrogenase (LDH) acima dos valores obtidos em dosagens séricas. O colesterol costuma dar acima de 55 mg/dl.
  • Transudatos - São pobres em proteínas (abaixo de 3 g/dl). Não requerem identificações mais específicas. 
TORACOCENTESE                                                                                                                                                    
 A coleta deve ser feita em local delimitado, após confirmação por exames de imagem. O paciente deve estar preferencialmente sentado, debruçado sobre uma mesa. 


Faz-se a antissepsia do local com álcool iodado. Uma agulha é introduzida na cavidade pleural. O líquido é coletado lentamente por um cateter acoplada a um saco coletor. O líquido também pode ser coletado em uma seringa.
A coleta em tubos estéreis com anticoagulante pode inibir o crescimento de microrganismos exigentes, além de poder inibir uma eventual coagulação do fluido, prejudicando a classificação em exsudato.
O procedimento deve ser interrompido caso haja desconforto respiratório, tosse ou hipotensão.

APARÊNCIA                                                                                                                                                           

Líquidos pleurais normais e transudatos são transparentes e amarelo-claros. A turvação indica presença de leucócitos e infecção bacteriana, tuberculose ou distúrbio imunológico, como a artrite reumatoide. O aspecto opalescente, mesmo após centrifugação, pode sugerir um derrame quiloso.
A presença de sangue pode significar lesão traumática, aspiração traumática e até neoplasia. Geralmente os resultantes de punção traumática não possuem uniformidade, se apresentando filamentoso.
Líquido claro ou hemorrágico, com alta viscosidade, sugere o mesotelioma - que pode ser confirmada com a elevação de ácido hialurônico.

BIOQUÍMICA                                                                                                                                                           

Por ser um ultrafiltrado plasmático, os valores obtidos nesse líquido serão semelhantes aos níveis encontrados no plasma.
Além dos exames para diferenciar exsudato de transudato, costuma-se solicitar testes para níveis de glicose, pH e amilase.
Inflamações tuberculosas e reumatoides apresentam hipoglicemia.
  • pH - colhida anaerobiamente, com seringa heparinizada
  • Proteínas 
  • Glicose - útil para diferenciar derrame reumatoide (abaixo de 10 mg/dl) e derrame do lúpus eritrematoso sistêmico (neste caso acima de 60 mg/dl).
  • Triglicerídeos 
  • Colesterol
  • LDH
  • Amilase - Elevações em líquidos pleurais podem aparecer na pancreatite aguda e crônica, carcinomas e metástases do pâncreas. Derrames pleurais podem ocorrer em cerca de 20% dos casos de pancreatite aguda.
CITOLOGIA                                                                                                                                                  

A contagem de leucócitos é importante no diagnóstico de infecções bacterianas. É considerado elevado o valor superior a 1000 céls/ uL.
As células mesoteliais provenientes das membranas pleurais podem ter várias formas. Sua contagem é elevada em inflamações não-bacterianas.

MICROBIOLOGIA                                                                                                                                                    

Bactérias e fungos podem infectar a cavidade pleural, com destaque para Streptococcus
pneumoniae, Legionella spp. e Mycobacterium tuberculosis.

Fontes: Estudo do líquido pleural: uma revisão, FONSECA, L.F.A. (RBAC - 2011); Uroanálise e Fluidos Biológicos, STRASINGER, S.K

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Função Pancreática

Fonte: Revista Corpore
O pâncreas é uma glândula que possui funções variadas, como endócrina, exócrina e autócrina.
Produz amilase, protease e lipase, que são liberadas na bile, junto com o suco pancreático.
O pâncreas pode ser alvo de neoplasias e inflamações, que detalharemos mais a seguir.

PANCREATITE AGUDA                                                                                                                                  
É associada a edema, autodigestão celular, necrose e hemorragias.
Acomete mais a faixa etária acima dos 40.
80% dos casos de pancreatite aguda (PA) é benigno e autolimitado.
a) leve - restrita ao pâncreas e com edema intersticial. A disfunção orgânica causada é mínima.
b) grave - é imprevisível e enganosa. Causa necrose, atingindo, inclusive, regiões adjacentes ao pâncreas. Pode levar a insuficiência respiratória, insuficiência renal, insuficiência cardíaca e até hemorragias no trato gastrintestinal, devido a falências intestinal e hepáticas.

Etiologia:  É bem variada, sendo necessários muitos anos de investigação médica. Os principais fatores que desencadeiam a pancreatite aguda são: cálculos, álcool, causas idiopáticas, microlitíase, drogas (morfina, corticoides), hiperparatireoidismo, hipercalcemia, traumas, cirurgias, infecções, vasculites, carcinomas etc.
O diagnóstico só pode ocorrer a partir da observação dos sinais clínicos combinados com achados laboratoriais e de imagem.

O quadro clínico se apresenta da seguinte maneira:

Testes de Avaliação Hepática

Quase toda substância que passa pelo trato gastrintestinal passa primeiramente pelo fígado, momentos antes de ser distribuída para a circulação sanguínea.

O fígado é um órgão muito importante, que desempenha diversas funções, tais quais:

  1. Catabolismo - do heme, por exemplo.
  2. Metabolismo de carboidratos - glicólise e gliconeogênese.
  3. Metabolismo de proteínas - é o único local onde a albumina é produzida.
  4. Metabolismo de lipídios 
  5. Desintoxicação - de fármacos, bilirrubina, drogas, amônia.
  6. Excretora - Ácidos biliares, bilirrubina.
  7. Armazenamento - glicogênio, vitaminas lipossolúveis.
Os principais objetivos da avaliação da função hepática é realizar triagens, prognosticar e monitorar pacientes com hepatopatias. 
Hoje contamos com métodos para avaliar a função hepatocelular, avaliar fluxo biliar e consequentes lesões, avaliar a função sintética, avaliar complicações e pesquisar a causa.

TESTES PARA AVALIAÇÃO HEPATOCELULAR                                                                                       

terça-feira, 11 de junho de 2013

Exame Microscópico da Urina

Depois das análises químicas e físicas, a terceira parte do exame da urina tipo I é a microscopia. Sua finalidade é detectar e identificar elementos insolúveis, como hemácias, leucócitos, células epiteliais, cilindros, bactérias, leveduras, parasitos, muco, espermatozoides, cristais e artefatos.


Para o exame microscópico, a urina deve ser recente ou corretamente conservada. Após a seleção da amostra, centrifuga-se em tubo cônico uma quantidade de urina entre 10 e 15 ml (12 ml é o mais indicado) - volume suficiente para fornecer uma amostra significativa dos elementos presentes nela - durante 5 minutos, a 450 FCR. A maior parte do sobrenadante é desprezada, restando o sedimento e quantidade de líquido suficiente para ressuspensão e visualização em lâminas. Com auxílio de uma pipeta pasteur, põe-se uma gota do sedimento ressuspendido na lâmina de microscopia, cobrindo com lamínula.
Primeiramente a lâmina é visualizada em objetiva de pequeno aumento (10x) para detecção de cilindros e verificação da composição geral do sedimento. Tendo identificado alguma estrutura, passa-se para uma objetiva de grande aumento (40x). As estruturas mais pesadas, como os cilindros, costumam se deslocar para a borda; por isso, se recomenda percorrer na objetiva de 10 (ou aumento de 100 vezes) todo o perímetro da borda, ou no mínimo 10 campos. As observações de grande aumento devem, também, ser feitas em no mínimo 10 campos.
Ao utilizar a microscopia de luz direta deve-se ter cuidado com a intensidade do foco de luz, que deve ser baixa, com diafragma e condensador quase fechado e afastado.

Interpretação